Submissão de resumos: como montar as regras, o formulário e os prazos
Uma boa submissão de resumos depende de três coisas: normas claras, um formulário que peça só o necessário e prazos que a comissão científica consegue cumprir. Acertando isso, a maior parte das dúvidas e dos pedidos de exceção desaparece.
Comece pelas normas
As normas de submissão são a parte do edital que o autor vai ler com mais atenção. Elas devem responder, sem ambiguidade:
- Quem pode submeter: só inscritos? Quantos trabalhos por autor? Quantos autores por trabalho?
- Modalidades: resumo simples, resumo expandido, relato de experiência, pôster, apresentação oral.
- Formato: limite de caracteres (com ou sem espaços), estrutura esperada (introdução, objetivo, método, resultados, conclusão), palavras-chave.
- Idioma aceito e se o título precisa de versão em inglês.
- Critérios de avaliação e o peso de cada um.
- Apresentação: quem decide entre oral e pôster, tempo de fala, tamanho do pôster.
- Certificado: quem recebe (apresentador, todos os autores) e se depende de apresentar no evento.
Uma dica que reduz muito o retrabalho: inclua um exemplo de resumo formatado corretamente.
Campos do formulário
Cada campo a mais é um motivo a mais para o autor travar. Peça o que a comissão realmente usa:
- Título.
- Autores e instituições, com indicação do apresentador.
- Área temática ou categoria.
- Modalidade pretendida.
- Texto do resumo, com contador de caracteres.
- Palavras-chave.
- Declarações exigidas pelo evento (por exemplo, aprovação em comitê de ética, quando aplicável).
Evite pedir arquivo anexo quando o texto cabe num campo. Texto em campo é mais fácil de avaliar, de padronizar e de publicar depois.
Categorias e áreas temáticas
As áreas temáticas servem para distribuir os trabalhos entre avaliadores e, depois, organizar as sessões. Poucas áreas largas demais sobrecarregam alguns avaliadores; áreas demais deixam categorias com um ou dois trabalhos. Um bom ponto de partida é olhar as submissões da edição anterior e agrupar.
Defina, para cada área, quem avalia. Ter pelo menos dois avaliadores por trabalho dá mais segurança à decisão e reduz contestação.
Calendário de submissão
O erro mais comum é apertar a avaliação para compensar uma prorrogação. Monte o calendário de trás para frente, a partir da data em que a programação precisa estar fechada:
- Programação fechada: data-limite.
- Resultado aos autores: pelo menos 3 a 4 semanas antes, para que se organizem e se inscrevam.
- Avaliação: 2 a 3 semanas para os avaliadores.
- Correções, se houver segunda rodada: 1 semana para o autor e 1 para a reavaliação.
- Fim das submissões: o que sobrar para trás.
Se for prorrogar, prorrogue uma vez, com antecedência, e já com a nova data de resultado publicada.
Avaliação e resultado
Dê aos avaliadores critérios objetivos e um espaço para parecer. O parecer é o que transforma uma recusa em aprendizado para o autor e evita a pergunta “por que meu trabalho foi recusado?”.
Permita a decisão “aprovado com ajustes”: o autor corrige e o trabalho volta para uma nova rodada. Isso aproveita bons trabalhos com problemas de forma.
Comunique o resultado de forma individual e registrada, e deixe o status visível para o autor na área dele. Depois, os aprovados seguem para a programação como apresentação oral ou pôster. Aprofundamos esse ponto no guia como organizar um congresso científico.
Checklist final
- Normas com exemplo de resumo formatado.
- Formulário só com campos que a comissão usa.
- Áreas temáticas com avaliadores definidos.
- Calendário montado de trás para frente.
- Critérios e espaço para parecer.
- Regra de certificado de apresentação publicada.
Para colocar tudo isso em prática sem planilha, conheça a plataforma de submissão de resumos do Kongre.